Rufina nasceu em 31 de maio de 1883. Era filha de um escritor e de uma bailarina. Após a morte do pai por tuberculose, quando ela tinha apenas cinco anos, foi criada pela mãe, que enfrentava forte preconceito da elite portenha devido à sua profissão.
Em 1902, no dia em que completava 19 anos, Rufina seria apresentada oficialmente à alta sociedade durante uma festa no Teatro Colón. Pouco antes da cerimônia, porém, recebeu a notícia de que o homem por quem estava apaixonada mantinha um relacionamento com sua própria mãe.
Segundo relatos da época, o choque emocional teria provocado um ataque cardíaco. Médicos confirmaram sua morte, e a jovem foi sepultada no Cemitério da Recoleta.
No entanto, a história ganhou contornos ainda mais dramáticos no dia seguinte ao enterro. Funcionários do cemitério perceberam alterações no solo sobre o túmulo e decidiram abrir o caixão. De acordo com a lenda, o corpo havia mudado de posição e apresentava marcas de unhas na tampa do caixão, além de ferimentos nas mãos e no rosto.
Esses indícios deram origem à hipótese de que Rufina poderia ter sofrido um episódio de catalepsia — condição rara que pode deixar a pessoa com sinais vitais quase imperceptíveis, levando, em casos históricos, a diagnósticos equivocados de morte.
Abalada, sua mãe encomendou um monumento em mármore para o túmulo da filha. A escultura mostra Rufina abrindo uma porta, representação que eternizou a crença de que ela tentou escapar do próprio sepultamento.

Embora não existam provas conclusivas de que Rufina tenha sido enterrada viva, sua história permanece como uma das lendas mais conhecidas da Argentina.



