A cerimônia, realizada na Grande Mosalla, reúne apoiadores do regime, autoridades iranianas e representantes estrangeiros em um evento que o governo classifica como a maior homenagem pública da história do país.
Khamenei morreu aos 86 anos durante os bombardeios realizados por Israel e Estados Unidos em 28 de fevereiro, episódio que desencadeou um conflito militar entre os três países. Quatro meses após sua morte, o funeral acontece em meio a um cenário de reconstrução política e negociações diplomáticas para consolidar o cessar-fogo firmado no mês passado.
O caixão do aiatolá foi colocado na Grande Mosalla, um dos principais complexos religiosos da capital iraniana, coberto por seu tradicional turbante preto, símbolo de sua posição religiosa. Desde as primeiras horas da manhã, milhares de pessoas ocuparam o local vestidas predominantemente de preto para prestar as últimas homenagens.
Cerimônia reúne multidão e reforça discurso político
Durante o evento, manifestantes exibiram bandeiras xiitas e cartazes com mensagens de apoio ao regime iraniano. Também foram registrados gritos de "Vingança", além de palavras de ordem contra Estados Unidos e Israel, slogans frequentemente presentes em manifestações oficiais promovidas pelo governo iraniano.
As autoridades estimam que entre 15 e 20 milhões de pessoas participem das cerimônias ao longo dos seis dias de homenagens apenas na capital, em um ato que busca demonstrar unidade nacional após meses de instabilidade política e militar.
Ao lado do caixão de Khamenei também estão os de familiares que morreram durante os ataques de fevereiro, incluindo uma filha, um genro, uma nora e uma neta de apenas 14 meses, segundo informações divulgadas pelas autoridades iranianas.
Sucessão e cenário político
Apesar das especulações, o atual líder supremo e sucessor de Khamenei, Mojtaba Khamenei, não apareceu publicamente durante o início das cerimônias. Desde assumir o comando do país, em março, ele tem se manifestado apenas por comunicados escritos, após relatos de que teria sido ferido durante os bombardeios.
Após permanecer exposto até segunda-feira na Grande Mosalla, o caixão seguirá em procissão por Teerã antes de percorrer outras cidades do Irã e do Iraque. O sepultamento está previsto para o dia 9 de julho, na cidade sagrada de Mashhad, onde Ali Khamenei nasceu.
O funeral ocorre em um momento considerado decisivo para o futuro político iraniano, marcado pela sucessão da liderança suprema, pela retomada das negociações diplomáticas e pelos desafios internos enfrentados pelo país após meses de conflito.



