A decisão confirma o entendimento da Justiça do Trabalho de que a empresa mantinha um quadro de liderança formado exclusivamente por homens.
Segundo o processo, os 24 cargos de gerência da unidade eram ocupados apenas por homens. Ao recorrer da condenação, a empresa não conseguiu demonstrar critérios objetivos que justificassem a ausência de mulheres nas posições de liderança, levando o TST a manter a decisão.
Apesar da condenação, o cargo mais alto da companhia é ocupado por uma mulher. Desde o fim de 2025, Carolina Pires exerce a função de CEO da Ortobom.
Decisão reforça combate à discriminação estrutural
A decisão é considerada relevante por especialistas em direito do trabalho por reconhecer a chamada discriminação estrutural. Nesse tipo de situação, a Justiça entende que práticas de exclusão podem ocorrer mesmo sem provas diretas de discriminação individual ou manifestações explícitas de machismo.
O entendimento do TST foi de que a empresa deveria demonstrar que seus processos de contratação e promoção garantiam igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, o que, segundo a Corte, não foi comprovado.
Participação feminina ainda é desafio
O caso também chama atenção para a baixa representatividade feminina em cargos de liderança no mercado de trabalho. Atualmente, cerca de 17,4% das empresas brasileiras possuem mulheres na presidência. No cenário internacional, apenas cerca de 6% das grandes corporações globais têm mulheres ocupando o cargo de CEO.
No próprio Tribunal Superior do Trabalho, responsável pela decisão, 7 das 27 cadeiras são ocupadas por ministras.
A decisão reforça o debate sobre igualdade de oportunidades no ambiente corporativo e o papel das empresas na promoção da diversidade em cargos de liderança.



