O engenheiro Manfred von Richthofen e a psiquiatra Marísia von Richthofen foram assassinados enquanto dormiam na mansão da família, no bairro Brooklin, em São Paulo.
Inicialmente, o caso foi tratado como um possível assalto seguido de morte. No entanto, as investigações rapidamente revelaram uma trama que chocou o país: a filha do casal, Suzane von Richthofen, então com 19 anos, participou do planejamento do crime ao lado do namorado, Daniel Cravinhos, e do irmão dele, Cristian Cravinhos. Os dois executaram o assassinato utilizando barras de ferro, enquanto Suzane ajudou a criar uma falsa cena de latrocínio para despistar a polícia.
O caso ganhou enorme repercussão por envolver uma jovem de classe alta acusada de planejar a morte dos próprios pais. Durante o julgamento, a acusação sustentou que a motivação estava relacionada à desaprovação dos pais em relação ao namoro com Daniel Cravinhos e ao interesse na herança da família. Em 2006, Suzane e Daniel foram condenados a 39 anos e seis meses de prisão, enquanto Cristian recebeu pena de 38 anos e seis meses.
Mais de duas décadas depois, o caso continua gerando debates e acompanhamentos da opinião pública. Em 2023, Suzane conquistou a progressão para o regime aberto após cumprir os requisitos previstos na Lei de Execução Penal. Desde então, vive longe dos holofotes, sob condições impostas pela Justiça, como comparecimento periódico ao Judiciário e restrições de deslocamento.
Em 2026, o nome de Suzane voltou ao noticiário após novas disputas familiares envolvendo a herança do tio materno, Miguel Abdalla Netto, encontrado morto em São Paulo. A Justiça a nomeou inventariante do espólio, decisão que gerou controvérsia e contestação por parte de outros familiares. Também neste ano, ela voltou a chamar atenção por manter atividades profissionais e tentar reconstruir a vida fora do sistema prisional.
Enquanto Suzane se tornou um dos rostos mais conhecidos da crônica policial brasileira, o irmão mais novo, Andreas von Richthofen, seguiu um caminho oposto. Com apenas 15 anos quando os pais foram assassinados, ele viu sua vida mudar drasticamente ao descobrir que a própria irmã havia participado do crime. Criado pelo tio materno após a tragédia, Andreas optou por uma vida longe da exposição pública, dedicando-se aos estudos e evitando comentar o caso. Mais de duas décadas depois, continua sendo lembrado como uma das principais vítimas indiretas de um dos crimes mais chocantes da história do Brasil.



