Carol Comunica

Policial17 de junho de 20263 min de leitura

Caso Isabella Nardoni: a morte que comoveu o país (2008)

Na noite de 29 de março de 2008, o Brasil acompanhou, estarrecido, um dos casos criminais mais marcantes de sua história.

Foto: Divulgação / Facebook
Foto: Divulgação / Facebook

Isabella de Oliveira Nardoni, de apenas cinco anos, morreu após ser jogada da janela do sexto andar do Edifício London, localizado na zona norte de São Paulo. O caso mobilizou a opinião pública, dominou os noticiários durante meses e continua sendo lembrado mais de uma década depois.

Segundo a versão inicial apresentada pelo pai da menina, Alexandre Nardoni, Isabella já estava dormindo quando a família chegou ao prédio. Ele afirmou ter levado a filha para o apartamento e, ao retornar para buscar os outros familiares no carro, teria encontrado a tela de proteção do quarto cortada e a menina caída no jardim do condomínio. No entanto, as perícias apontaram inconsistências na narrativa apresentada pelo casal.

As investigações concluíram que Isabella sofreu agressões dentro do apartamento antes da queda. Laudos periciais indicaram sinais de asfixia e ferimentos incompatíveis com um acidente. Para a acusação, a menina foi agredida, asfixiada e posteriormente arremessada pela janela. A polícia apontou Alexandre Nardoni e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, como responsáveis pelo crime.

O caso gerou enorme repercussão nacional. Em uma pesquisa realizada na época, mais de 98% dos brasileiros afirmaram conhecer a história, tornando-se um dos episódios policiais de maior cobertura da imprensa brasileira. Durante a investigação, milhares de pessoas acompanharam cada etapa do processo e manifestações pedindo justiça ocorreram em diversas cidades.

O julgamento começou em março de 2010 e durou cinco dias. O Ministério Público sustentou que Isabella foi vítima de homicídio triplamente qualificado, cometido com crueldade, sem chance de defesa e com tentativa de ocultação dos fatos. A defesa alegou inocência e questionou as conclusões da perícia, mas os jurados aceitaram a tese da acusação.

Ao final do júri, Alexandre Nardoni foi condenado a 31 anos, 1 mês e 10 dias de prisão. Anna Carolina Jatobá recebeu pena de 26 anos e 8 meses de reclusão. Ambos também foram condenados por fraude processual, por tentarem alterar a cena do crime. A sentença destacou a pouca idade da vítima e, no caso de Alexandre, o agravante de ser o próprio pai da criança.

Mesmo após a condenação, os dois sempre negaram participação na morte de Isabella. Ao longo dos anos, recorreram da decisão, mas a Justiça manteve as condenações. Com o cumprimento parcial das penas, ambos conquistaram progressões de regime previstas na legislação brasileira. Anna Carolina deixou o sistema prisional em 2023 após obter o regime aberto, enquanto Alexandre também avançou no cumprimento da pena.

Anos após a tragédia que marcou o país, a mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, transformou a dor em militância. Em 2024, foi eleita vereadora da cidade de São Paulo com a proposta de ampliar a proteção às crianças e adolescentes. Sua atuação política tem como principal bandeira o combate à violência infantil, tema que passou a defender publicamente desde a morte da filha. A eleição foi vista por muitos apoiadores como a continuidade de uma luta por justiça e prevenção para que casos semelhantes não se repitam.


Por

Carol Comunica

Maringá, 17 de junho de 2026 · 3 min de leitura

Boletim semanal

Gostou? Receba a próxima.

Um e-mail curto toda sexta com a coluna da semana e leituras que recomendo.