O projeto é desenvolvido pelo Laboratório Cristália e está em uma fase bastante inicial, chamada Early Discovery. Até agora, a candidata foi testada apenas em animais. Segundo a empresa, os experimentos conseguiram estimular a produção de anticorpos específicos contra a nicotina.
Como ela funcionaria?
A ideia é fazer o próprio sistema imunológico produzir anticorpos capazes de reconhecer a nicotina quando ela entra na corrente sanguínea.
Esses anticorpos se ligariam à substância antes que ela alcançasse o cérebro. Isso poderia reduzir a liberação de dopamina e, consequentemente, a sensação de prazer e recompensa que ajuda a manter a dependência.
Na prática, a vacina não faria a pessoa simplesmente perder a vontade de fumar. A expectativa é que ela funcione como uma ferramenta complementar ao tratamento e ajude principalmente a diminuir o risco de recaídas.
Mas ainda não existe vacina disponível
Esse é o ponto mais importante: não se trata de um tratamento aprovado para pessoas neste momento.
O projeto ainda precisa passar por estudos pré-clínicos de segurança e eficácia, desenvolvimento da formulação, aumento de escala e, posteriormente, testes clínicos em humanos. Somente depois dessas etapas poderia existir um eventual pedido de registro à Anvisa.
E há motivos para cautela. Vacinas contra nicotina já foram estudadas anteriormente fora do Brasil. A NicVAX, por exemplo, chegou à fase 3 de testes em humanos, mas não conseguiu demonstrar eficácia superior ao placebo em larga escala.
Ainda assim, a pesquisa brasileira representa uma nova tentativa de transformar o sistema imunológico em aliado no combate a uma das dependências mais difíceis de abandonar.



