Nise da Silveira transformou a forma de olhar para pessoas com transtornos mentais e se tornou um dos grandes nomes da psiquiatria brasileira.
Nascida em Maceió, em 1905, Nise formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1926. Em um ambiente ainda dominado por homens, construiu sua trajetória na psiquiatria defendendo uma relação mais humana entre profissionais e pacientes.
Durante o governo de Getúlio Vargas, foi presa sob suspeita de envolvimento com o comunismo e acabou afastada do serviço público por anos.
Quando retornou ao trabalho, em 1946, encontrou uma psiquiatria marcada por métodos como lobotomia, eletrochoque e coma insulínico. Contrária a essas práticas, passou a trabalhar com terapia ocupacional e criou ateliês de pintura e modelagem dentro do Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro.
Onde outros enxergavam apenas doença, Nise enxergava expressão
Nos ateliês, pacientes eram estimulados a pintar, desenhar, modelar e expressar por imagens sentimentos e experiências que muitas vezes não conseguiam colocar em palavras.
O trabalho ganhou tamanha importância clínica, científica e artística que, em 1952, Nise fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, destinado a preservar e estudar as produções feitas pelos pacientes.
Sua atuação também valorizava o afeto como parte do tratamento, inclusive na relação entre pacientes e animais. Mais tarde, em 1956, Nise participou da criação da Casa das Palmeiras, instituição voltada ao atendimento em regime aberto de pessoas que haviam passado por internações psiquiátricas.
Nise morreu em 1999, mas seu trabalho ajudou a construir uma visão da saúde mental baseada não apenas na doença, mas também na dignidade, na expressão e no vínculo humano. O Ministério da Saúde reconhece seu pioneirismo como uma das experiências que contribuíram para o movimento de transformação da assistência psiquiátrica no Brasil.



