A Dognosis, fundada em 2024 em Bengaluru, desenvolve um sistema que combina cães treinados, sensores e inteligência artificial para identificar sinais associados à doença em amostras de hálito.
O método é simples para o paciente: a pessoa respira normalmente em uma máscara por cerca de dez minutos. Depois, a amostra é enviada ao laboratório, onde é apresentada aos cães treinados. Eles conseguem identificar alterações nos compostos orgânicos voláteis (VOCs), substâncias presentes no hálito cujo padrão pode mudar com determinadas doenças.
A tecnologia busca reduzir um dos principais problemas desse tipo de diagnóstico: depender apenas da interpretação humana sobre o comportamento do animal. A Dognosis utiliza sensores, dados neurocomportamentais e modelos de aprendizado de máquina para transformar as respostas dos cães em informações analisáveis.
Mais de 90% de sensibilidade
Os resultados chamaram atenção. Um estudo de Fase 2 publicado em 2026 no Journal of Clinical Oncology, com 1.502 participantes, registrou 90,8% de sensibilidade e 91,3% de especificidade na detecção de múltiplos tipos de câncer. Nos tumores em estágios iniciais — I e II — a sensibilidade foi de 90,6%.
A pesquisa avaliou sete grandes grupos de câncer, incluindo tumores de mama, pulmão, cabeça e pescoço, ginecológicos, gastrointestinais e geniturinários. Os resultados são promissores, mas ainda não significam que os cães possam substituir exames médicos tradicionais: o método continua em validação clínica e funcionaria como ferramenta de triagem para indicar quem precisa de investigação diagnóstica.
A empresa pretende lançar comercialmente o BreathEasy na Índia em 2027, caso os estudos em andamento confirmem sua eficácia.



