Especialistas alertam que os efeitos do autoritarismo permanecem como um lembrete de que direitos e liberdades precisam ser constantemente protegidos.
A ditadura não retirou apenas o direito ao voto. Jornalistas, estudantes, artistas, professores e opositores foram perseguidos, presos, torturados, censurados ou obrigados ao exílio. Livros, músicas, filmes e peças teatrais passavam pelo controle do Estado, enquanto a imprensa tinha sua atuação limitada.
Hoje, o cenário é diferente, mas alguns desafios continuam presentes no século XXI. A disseminação de desinformação, os ataques à imprensa, a polarização política, os discursos de ódio, as ameaças contra jornalistas, a intolerância às diferenças e as tentativas de desacreditar instituições democráticas mostram que a liberdade não pode ser considerada garantida.
A democracia depende da existência de uma imprensa livre, do respeito às instituições, da liberdade de expressão, da proteção aos direitos humanos e do direito de cada pessoa viver sua identidade sem perseguições. Esses princípios foram justamente alguns dos mais afetados durante a ditadura.
Outro desafio atual é a desinformação. Durante o regime militar, grande parte da população tinha acesso apenas às informações autorizadas pelo governo devido à censura. Hoje, embora exista liberdade de circulação de informações, a propagação de conteúdos falsos pode dificultar o acesso da sociedade a informações confiáveis, reforçando a importância do jornalismo profissional e da checagem dos fatos.
Além disso, o crescimento de discursos que defendem soluções autoritárias ou relativizam violações de direitos humanos demonstra como a memória histórica continua essencial. Conhecer o passado ajuda a identificar sinais de enfraquecimento democrático e a compreender que a liberdade vai muito além do direito de votar.

Ser livre é poder informar, questionar, estudar, criar, amar, professar uma religião — ou nenhuma —, expressar opiniões, participar da vida política e ser quem se é sem medo de perseguição ou violência.
A ditadura ficou no passado, mas a responsabilidade de proteger a democracia pertence ao presente. Conhecer essa história é uma forma de preservar direitos conquistados e fortalecer uma sociedade em que a diversidade de ideias e de pessoas possa coexistir com respeito e liberdade.



