Carol Comunica

Política02 de setembro de 20263 min de leitura

Mensagens de Vorcaro colocam Moraes no centro de nova crise no STF

A divulgação de um relatório da Polícia Federal sobre o Banco Master abriu uma nova crise no Supremo Tribunal Federal.

Fotos: Gustavo Moreno, Victor Piemonte e Luiz Silveira / STF
Fotos: Gustavo Moreno, Victor Piemonte e Luiz Silveira / STF

O documento reúne mensagens, registros de encontros e arquivos encontrados no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e aponta uma relação próxima dele com o ministro Alexandre de Moraes.

Segundo a investigação, Vorcaro procurou Moraes enquanto tentava evitar o colapso do Banco Master e acompanhar o avanço das investigações. A PF identificou pelo menos seis encontros entre os dois e mensagens enviadas nos dias anteriores à prisão do banqueiro. Em uma delas, Vorcaro perguntou se deveria deixar o país.

A identificação das conversas exigiu análise técnica porque parte das mensagens era enviada pelo WhatsApp em modo de visualização única. Segundo a PF, capturas de tela, arquivos temporários e registros de atividade do celular permitiram reconstruir parte dos contatos.

O relatório também trouxe novos elementos sobre a relação comercial entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Metadados analisados pela PF apontam que um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões teve sua última modificação registrada por um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

Outro contrato, de até R$ 50 milhões, também foi identificado. Segundo as informações divulgadas, parte do pagamento poderia ocorrer por meio de participações em empresas relacionadas a um avião Legacy 650 e a um helicóptero.

O ministro André Mendonça retirou o sigilo sobre o material e pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que o assunto seja discutido pelos demais ministros da Corte.

A Procuradoria-Geral da República, porém, reagiu. Paulo Gonet pediu a anulação do relatório, sustentando que Mendonça teria determinado uma investigação sobre outro ministro do Supremo sem a autorização necessária do plenário. A validade jurídica das provas, portanto, tornou-se parte central da disputa.

As revelações não significam, por si só, que os envolvidos tenham cometido crimes. O relatório apresenta indícios, relações e circunstâncias que agora estão sendo discutidos pelas instituições responsáveis.

O caso coloca o STF diante de uma crise especialmente delicada: além das suspeitas levantadas pela investigação, a própria forma como o material foi produzido e divulgado passou a ser contestada.

Com o assunto chegando ao plenário e repercutindo também no Congresso e na campanha eleitoral, o caso Banco Master deixou de ser apenas uma investigação financeira e passou a atingir diretamente a cúpula do Judiciário brasileiro.


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Maringá, 02 de setembro de 2026 · 3 min de leitura

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