Entre os séculos XVI e XVII, a pele extremamente branca tornou-se símbolo de beleza e posição social em partes da Europa. Cosméticos à base de chumbo foram usados para conseguir o efeito pálido desejado. A própria rainha Elizabeth I ficou conhecida pelo rosto muito branco após ter contraído varíola. O problema é que a exposição repetida ao chumbo poderia provocar intoxicação. (Science History Institute)
Outra prática histórica envolveu a beladona (Atropa belladonna). A planta contém substâncias capazes de dilatar as pupilas — característica associada à beleza em determinados períodos —, mas também possui compostos tóxicos. A associação entre aparência e risco ajuda a explicar o próprio nome italiano da planta: bella donna, ou “bela mulher”.

Espartilhos e a cintura impossível
No século XIX, o espartilho tornou-se uma das peças mais emblemáticas da moda feminina. Modelos reforçados com barbatanas ou aço ajudavam a construir a silhueta de ampulheta valorizada naquele período. (National Museum of American History)

Mas é preciso separar história de mito: nem todas as mulheres comprimiam violentamente a cintura. Alguns espartilhos serviam principalmente como sustentação e eram usados sem o chamado tight-lacing. Ainda assim, houve modelos e períodos em que cinturas muito pequenas se tornaram um ideal de moda. (Smithsonian Institution)
Quando até o vestido representava perigo
As grandes saias do século XIX completavam a silhueta desejada. Armações e várias camadas de tecido aumentavam o volume das roupas em uma época em que casas, salões e ambientes públicos eram iluminados ou aquecidos por fontes de fogo abertas.

O resultado era uma combinação perigosa: tecidos volumosos poderiam entrar em contato com velas, lareiras e outras chamas.
Séculos depois, essas histórias revelam algo que continua atual: os padrões de beleza mudam, mas a pressão para se encaixar neles atravessa gerações.
O que hoje parece absurdo já foi considerado belo, elegante e até necessário para pertencer a determinados grupos sociais.



