Sua construção levou quase 20 anos e envolveu cerca de 1.500 trabalhadores, mas a obra ficou marcada por acontecimentos tão incomuns que deram origem a uma lenda conhecida até hoje como “a maldição do Colón”.
A “maldição” que assustou Buenos Aires
O primeiro arquiteto do projeto, Francesco Tamburini, morreu antes do início das obras. Seu sucessor, Víctor Meano, foi assassinado em 1904, poucos anos antes da inauguração. O detalhe que alimentou a superstição é que ambos morreram aos 44 anos.
Na época, muitos acreditaram que o teatro era amaldiçoado. A fama foi tão grande que houve quem defendesse até a demolição do edifício, e o arquiteto belga Jules Dormal só aceitou concluir a obra porque já havia ultrapassado a “idade da maldição”.

Os “camarotes das viúvas”
Entre os espaços mais intrigantes do teatro estão os chamados “camarotes das viúvas”.
Escondidos atrás de grades, eles permitiam que mulheres da alta sociedade assistissem aos espetáculos sem serem vistas pelo restante do público.

A soprano que caiu no fosso da orquestra
Nem todas as histórias do Colón terminaram em aplausos.
A famosa soprano italiana Claudia Muzio tinha o hábito de jogar água benta no palco antes das apresentações. Em uma dessas ocasiões, no Teatro Colón, ela escorregou justamente na água que havia lançado e caiu no fosso da orquestra, protagonizando um dos episódios mais inusitados da história do teatro.
O segredo da acústica perfeita
A fama mundial do Teatro Colón não vem apenas da beleza. Sua acústica é considerada uma das melhores do planeta.
O segredo está no formato em ferradura da sala principal e na combinação precisa de materiais: madeiras, tecidos e carpetes absorvem parte das ondas sonoras, enquanto mármore e bronze refletem o restante, criando um equilíbrio que faz com que o som alcance praticamente todos os lugares da plateia com a mesma qualidade.
Um detalhe escondido na cúpula
Quem olha para o teto vê uma enorme pintura cercando o lustre principal, mas poucos sabem que ela nem sempre esteve ali.
A obra original deteriorou-se com o tempo e, em 1966, foi substituída por uma pintura do artista argentino Raúl Soldi.Na composição, há dezenas de personagens ligados ao universo da música, da dança e da ópera, além de um discreto “duende”— um personagem simbólico que, segundo Soldi, representa o espírito do teatro.



